O principal objetivo da propaganda petista, ou seja, de basicamente tudo que eles dizem, não é persuadir, conscientizar, alertar ou informar a população de um perigo real e imediato que esteja colocando em risco princípios caros à humanidade como democracia, liberdade, igualdade, fraternidade e demais clichês virtuosos, mas precisamente humilhar, calar e oprimir todos que se oponham aos interesses do partido. Quanto mais dissimulada for a narrativa, tanto mais realizável será seu real propósito, a saber: obter o consentimento de uma massa anêmica de cidadãos que, consciente ou inconscientemente, adere a um projeto totalitário de poder travestido de democracia.
Trata-se de algo que não acontece natural e repentinamente. É impossível criar um sistema de tal magnitude assim do dia para a noite. Voltando um pouco no tempo, na cabeça de Marx a sociedade é formada por uma infraestrutura de bases econômicas que sustentam uma superestrutura de aspectos culturais cujas ideologias são cultivadas pelos interesses de classe provenientes da infraestrutura. Sendo assim, é preciso atacar a infraestrutura para destruir a superestrutura.
No início do século XX, porém, um tiozinho italiano inverte essa ordem, et voilà, está instituído o sistema que na modernidade será a pá de cal na condução da raça humana à sua fase mais deprimente. O ataque beligerante à cultura, à moral e aos costumes torna-se a força motora do movimento. Se para Marx a economia sustenta os valores culturais do capitalismo, para Gramsci são os valores da cultura capitalista que sustentam os modos de produção. Por isso é preciso levar a revolução para o campo da cultura. A partir deste ponto o projeto assume forma latente; tendo o câncer se instalado na cultura, pode-se considerar inevitável o declínio das bases da civilização. Uma vez destruída, ou melhor, transformada a cultura, isolar, controlar e administrar a sociedade vira brincadeira de criança.
Décadas mais tarde, o maior país da América Latina viveria seu momento mais sensível e decadente. Adotando o método de infiltração na educação e na mídia, a fim de corromper a linguagem para dessensibilização da cultura, as inteligências por trás do partido fizeram muito bem o dever de casa: enquanto o povo se distrai com bons sofás, controles remotos e smartphones, eles reescrevem a História.
Estabelecida tal anomalia, as preferências do povo são induzidas pelo exercício democrático de liberdades de escolha e ação predeterminadas e vindas prontas de cima. Dito em outras palavras, o povo é livre para escolher e agir segundo as escolhas do sistema. Como isso acontece? Antes de responder a essa pergunta é preciso fazer outra pergunta. Quais são as origens de nossas idéias? Pergunta-se origens, não fundamentos. Esse é o primeiro passo para qualquer pessoa que esteja em busca de esclarecimento e queira realmente entender o que está acontecendo no Brasil e no mundo.
É preciso ter em mente que esse tal de comunismo não é exatamente uma doutrina, mas um movimento. É claro que há um corpo de idéias orientando o movimento, mas ele só pode ser compreendido em seu aspecto utilitário, no sentido de atuar como um sistema pseudocientífico e filosófico que sustenta uma ideologia e coloca em prática o penúltimo estágio do projeto: o socialismo. É nesse estágio que nos encontramos no momento.
Apesar da precisão estratégica de um programa de tal dimensão, todo esse corpo de idéias, cujas premissas poderiam sim ser dignas de reflexão e discussão, no geral não passa de ladainha, crítica ressentida da cultura ocidental e expressão forçada de virtudes inexistentes. Não é à toa que intelectuais marxistas do mundo todo estão há décadas batendo cabeça e operando os malabarismos mentais mais incríveis para corrigir as vírgulas e reticências impertinentes do ideário do mestre, a fim de adaptá-las às novas necessidades político-ideológicas que vão surgindo com o tempo.
O plano é genial e está dando muito certo, admitamos. Hoje, de cada dez pessoas, onze são socialistas; dessas onze, dez não têm a menor idéia de que o sejam. Isso se dá principalmente porque os poucos que têm alguma consciência, se lutam o fazem contra a propaganda do partido ao invés de o fazerem contra a ideologia. Propaganda e ideologia são duas faces de uma mesma moeda que orienta todos os aspectos da vida moderna, inclusive o capitalismo; a primeira representa a tática, a segunda a estratégia. O mais urgente, portanto, é entender o que é a ideologia e adotar vivamente uma postura firme contra ela, caso contrário não haverá luz no fim do túnel.
A capacidade de entender a gravidade do atual estado de coisas em nossa cultura só será possível se compreendermos os movimentos que se manifestam fora de nós e que o tempo todo pautam as nossas escolhas, os nossos desejos e as nossas idéias. O mundo externo a nós, a realidade objetiva e concreta que aparece diante de nossos olhos, não é imediatamente o que imaginamos ou queremos que ela seja, mas o que ela de fato é, ainda que tenhamos o nosso papel nessa construção. Também as narrativas, sejam elas verdadeiras ou falsas, para o bem ou para o mal, carregam algo de cada um de nós em sua formatação.
Dito isto, é imprescindível um esforço verdadeiro para ter uma mente saudável, empenhando-se na busca pelo conhecimento, e decretando independência de pensamento e lucidez. Não se trata de ter a própria opinião, mas de ter a opinião verdadeira. De próprias opiniões o inferno está cheio. Próprias opiniões esbanjam as elites do partido e os ideólogos que empesteiam as universidades e a mídia do país, pois antes mesmo que as cortinas do teatro se abram, acredite, as únicas coisas pelas quais estão todos lutando é dinheiro, poder, vaidade e demais conveniências que lhes proporcionem vidas menos medíocres.
Em suma, é importante lembrar que essa sanha natural do partido, a fonte que alimenta seus objetivos de poder, não seria possível sem que houvesse primeiro a destruição da inteligência e a decadência moral e espiritual da sociedade. Se alguma esperança ainda pudesse ser vislumbrada, ela só poderia surgir a partir de uma reação corajosa em favor da retomada de nossas capacidades cognitivas naturais. O fantasma que ronda o Brasil só poderá vencer a nossa humanidade se continuarmos aceitando o cenário de catástrofe que há décadas se desenha e que está em seu estágio final.
É impossível ser bem sucedido vivendo da mentira. Mais cedo ou mais tarde a cobrança bate à porta. Já estamos no limite, é verdade, mas pode ficar muito pior se chegarmos a um ponto em que a institucionalização do medo nos conduza à completa incapacidade de reação. Os livros de História estão aí para refutar qualquer objeção a esse respeito. A única maneira de nos vencerem na defesa de nossa humanidade é obrigando-nos a viver com o contínuo medo da verdade.